MEMÓRIAS



CONTO PSICOLÓGICO:


MEMÓRIAS
Por: Natália Schneider
Faculdade, trabalho e contas. A vida não está sendo fácil pra mim ultimamente. Estou sempre na correria, da faculdade para o trabalho, do trabalho para casa, e esse ciclo se repete, nunca tendo um tempo para me divertir, e se isso acontece é raramente.
Depois de muito tempo e sofrimento eu decidi me mudar, e começar uma nova vida em outra cidade. E é por esse motivo que eu estou aqui agora nesse ônibus, rumo a minha nova casa.
No momento está chovendo muito, e o clima está frio e deprimente. Olho pela janela e vejo que estamos passando pela minha cidade natal. É uma sensação boa rever o lugar onde cresci, mas não esperava ver aquela praça, da qual eu tenho memórias e lembranças que eu não queria que voltassem, por um lado boas, mas por outro ruins, não sei descrever.
Aos meus 17 anos, um garoto novo chegou na minha rua, na verdade ao lado da minha casa. Quando ele estava fazendo a mudança e levando as coisas para dentro de casa, minha mãe disse para mim ir lá dar boas vindas e o ajudar, por educação, e foi isso que eu fiz, foi aí que começou uma linda amizade entre a gente.
O nome dele é Jeon, temos a mesma idade e muitas outras coisas em comum, ele é muito simpático, brincalhão e muito bonito.
Com o tempo, nossas mães foram virando amigas cada vez mais íntimas, e por isso nos víamos com mais frequência, sempre saímos juntos para algum lugar, seja ele no cinema, parque ou lago, sempre nos divertíamos.
Um sentimento muito grande por ele começou a crescer dentro de mim, algo forte, inexplicável. Mas não sabia se era retribuída por esse sentimento. Ele sempre estava presente nos meus bons e maus momentos, me fazendo sempre muito feliz.
Um dia, ele me chamou para um parque onde íamos muitas vezes, e foi aí que ele fez uma coisa que eu nem imaginava, ele se declarou para mim, o mesmo disse coisas lindas e em seguida me pediu em namoro, e é óbvio que eu aceitei.
Ficamos juntos por bastante tempo, quase dois anos, ele ocupava um lugar muito grande no meu coração, e eu o amava muito. Mas com o tempo ele foi ficando mais frio, não era o mesmo Jeon, e eu não sabia o motivo.
Até que, num dia chuvoso, eu saí da escola, (Jeon havia faltado neste dia) eu seguia meu caminho normalmente, até passar pela praça e me deparar assustadoramente com ele, o cara que eu amava, beijando outra menina, e o pior é que ele retribuía sem reclamar.
Ver aquilo foi como se uma flecha atravessasse meu coração. Lágrimas escoriam involuntariamente no meu rosto, não sabia o que fazer. Naquele momento tudo começou a fazer sentido, frieza e o distanciamento dele, as desculpinhas que ele me dava era por quilo, por outra garota.
Antes que aquela menina fosse embora, ele disse a ela que a amava. Pronto! Aquilo foi a gota d’água. Saí correndo e nem olhei para onde ia, eu só sabia que queria ir o mais longe possível dele, aquele monstro me fez acreditar que ele me amava, que eu era especial. Todo esse tempo, todas as nossas lembranças e memórias jogadas no ar.
E foi nesse dia que eu decidi me mudar. Ir pra outra cidade, tentar esquecer ele e recomeçar minha vida, por mais que seja difícil. E eu realmente havia o esquecido.
Depois de um tempo, tinha feito novas amizades, conheci pessoas incríveis, mas como eu falei, ver aquela praça onde nosso amor começou e onde ele terminou, me provocou essas memórias e sensações ruins. Espero não o ver novamente, ele realmente me decepcionou, não achava que ele era esse tipo de pessoa.
Vejo que estamos quase chegando ao meu destino. Diferente de antes, agora o sol está forte e radiante, isso ajuda a mostrar a beleza que essa cidade tem.
Não quis trazer muitas coisas para a mudança, pois vou morar em um apartamento e vou dividir ele com uma garota que já mora lá, então, provavelmente já está mobiliada. Eu não sei bem como essa garota, nós conversamos por mensagem, mas ela parece ser legal.
Bom, quando vejo que chegamos, me levanto e saio do ônibus com apenas uma mala, pois, como eu disse, não queria trazer muitas coisas.
Ao chegar no apartamento, bato na porta, logo fui recebida por uma menina, deve ser a mesma das mensagens. O nome dela é Rosé, ela é um ano mais velha que eu, e se formou ano passado em medicina. Ela me mostrou o apartamento e o meu quarto. Em seguida me ajudou a arrumar minhas coisas.
O tempo passou e a gente conversou bastante. Eu gostei dela, parece ser uma boa amiga, ela me falou bastante sobre a cidade e alguns lugares que tem vaga de emprego, que é o que eu mais preciso agora.
Rosé me convidou para uma festa que iria ter, e eu aceitei, pois preciso conhecer gente nova, fazer novas amizades e me divertir também.
Comecei a me arrumar, pois já está quase na hora de irmos. Em questão de 20 minutos fiquei pronta e Rosé também. Saímos de casa e não demora muito para chegarmos. Quando adentramos o lugar, já vi várias pessoas dançando ao ritmo de uma música muito alta.
Fui para o barzinho, pedi uma bebida e depois fui para a pista de dança com Rosé e fiquei lá por uns 15 ou 20 minutos.
Eu estava me divertindo muito, até que eu olhei para um canto e vi um rosto familiar, não conseguia enxergar direito quem era, então cheguei mais perto, apenas dois passos oram necessários para mim ver que era e congelar na hora. Se você pensou em Jeon, está certo.
Meu coração acelerou, um filme passou novamente pela minha cabeça. Decepção e tristeza tomaram conta de mim. Mas quer saber? Aquilo era passado. Não vou ficar guardando rancor. Certas coisas acontecem por que tem que acontecer para mim ser o que sou hoje. Se ele seguiu em frente, também posso seguir.
Tomei coragem (que deve ter vindo do além) e fui até ele. Quando ele me viu, ficou com uma cara de surpreso. Fico parada em sua frente e falo apenas um “oi ”. Ele ficou sem me responder então eu falei:
- Olha, você ficou sem noticias minhas desde aquele dia, devia estar confuso. Mas eu vi você no parque com aquela garota, beijando-a e dizendo que a amava. Naquela hora, você não tem noção, mas tudo em mim desabou. Eu já estava estranhando o seu distanciamento, mas não imaginava aquilo. Porém, agora tomei uma decisão e vou tentar deixar tudo pra trás, não vou mais ficar brava contigo.
Ele me olhava atentamente, prestava atenção em cada coisa que eu falava, então continuei.
- Eu vou te perdoar. Mas não pense que vamos voltar a ser amigos tão rápido, você vai ter que dar um jeito de reconquistar minha confiança.
Quando terminei de falar, seus olhos brilhavam, ele me olhou com ternura e falou:
- Nossa! É muita coisa para mim processar. Bom, primeiramente desculpa por aquilo, não sei o que havia dado em mim naquele tempo. E segundo, obrigado por me perdoar, sei que vai ser difícil voltar como era antes. Eu entendo você ter ido embora sem avisar, o que eu fiz com você foi realmente terrível, desculpa.
- Está tudo bem, agora vamos seguir nossos caminhos, e se eu quiser fala mais com você sobre isso, eu entro em contato com você. Agora preciso ir, Rosé está me chamando. Tchau!
- Tchau! Até logo, eu espero.
Dito isso, saí de perto dele e fui em direção a Rosé. Bom, foi bom termos essa conversa, parece que me livrei de algo que estava preso dentro de mim. Agora vou seguir minha nova vida, em minha nova casa e com novos amigos, nem imaginando o que pode acontecer nos próximos dias, isso só o tempo me dirá.

Autora: Natália Schneider
Escola Básica Municipal João Theobaldo Magarinos -  Concórdia SC - 11/04/18

FONTE DA IMAGEM: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.126/3887 -  Desenho Larissa de Aguiar

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